A Cólera  (16/9/2009)

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 

 

A CÓLERA

 

A cólera, com a denominação de ira, faz parte dos 7 pecados capitais. Resultado de um desequilíbrio emocional, causado por uma provocação, contrariedade ou ofensa, incita o revide, com manifestações físicas ou verbais, sempre de forma agressiva.

Filha dileta do orgulho, a cólera, assim como o ódio e o rancor, são sintomas evidentes de nossa inferioridade moral. Alimentar-se desses sentimentos negativos é conviver com a ameaça, constante, de um desequilíbrio mental, com graves prejuízos para o físico e para o espírito.

Em bela página com o título “O grito de cólera” (“Luz no Lar”, diversos autores, 7 ed.: Feb., 1991, psicografia de Chico Xavier), Néio  Lúcio assevera : O grito de cólera é um raio mortífero, que penetra o círculo de pessoas em que foi pronunciado e aí demora, indefinidamente, provocando moléstias, dificuldades e desgostos. A cólera é a força infernal que nos distancia da paz divina. E encerra seu comentário afirmando: A própria guerra, que extermina milhões de criaturas não é senão a ira venenosa de alguns homens que se alastra, por muito tempo, ameaçando o mundo inteiro.

No sagrado reduto do Lar, quantos episódios, de lamentáveis conseqüências, têm sido gerados por aqueles que se vêem, num repente, tomados por assustadoras atitudes de cólera. Mesmo que, posteriormente, advenha o remorso faz-se tarde, em geral, para qualquer reparo.  A esse respeito, Kardec, em seus sábios comentários, observa: No seu frenesi, o homem colérico se volta contra tudo, à própria natureza bruta, aos objetos inanimados, que espedaça por não lhe obedecerem. Ah! Se nesses momentos ele pudesse ver-se a sangue-frio, teria horror a si mesmo, ou se reconheceria ridículo.(...) Se pudesse pensar que a cólera nada resolve, que lhe altera a saúde, compromete a sua própria vida, veria que é ele mesmo a sua própria vítima (ESE:IX, 9). Indiferentes às mais incisivas advertências da Lei, que nos convidam à reforma íntima, é costume atribuirmos à nossa constituição física, a responsabilidade de nossos atos: sou assim, nervoso por natureza, não há como mudar. Longe de corresponder a qualquer verdade a vida demonstra, a todo momento, que o homem, fisicamente frágil, revela-se colérico por qualquer motivo, enquanto o outro, de compleição avantajada, mostra-se calmo e compreensivo, mesmo diante da mais grave ofensa. A compleição física ou a natureza humana, em nada contribuem para o estado de cólera. Assim como os aleijões físicos são causados por deficiências da matéria, os aleijões morais são deformidades do espírito. Defeitos físicos - obstáculos difíceis de transpor – são, quase sempre, marcas de um passado culposo a nos cobrar pesado resgate. Já as deformidades da alma estão ao nosso alcance superá-las. Demanda atitude e esforço próprio, e os resultados virão. A cólera, portanto, é um grave defeito da alma orgulhosa e, segundo Emmanuel, nada mais significa que um traço de recordação dos primórdios da vida humana em suas expressões mais grosseiras (O consolador, questão 181).

 

 

Euripedes B. Carvalho







 
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